Nova gasolina brasileira; descubra as 3 principais mudanças

A partir de agosto de 2020, os motoristas que abastecerem seus carros poderão receber uma gasolina de melhor qualidade. Isso será possível graças à mudança que acontece em decorrência da Resolução 807/20, emitida pela Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis (ANP), que estabelece novas especificações para a gasolina comercializada no país. A “nova gasolina brasileira” se assemelha ao combustível utilizado nos Estados Unidos e nos países europeus. Preparamos um conteúdo completo sobre o tema. Confira!

As especificações para a nova gasolina brasileira passam a vigorar a partir do dia 3 de agosto de 2020.

As especificações para a nova gasolina brasileira passam a vigorar a partir do dia 3 de agosto de 2020.

Como era antigamente?

Até a década de 80, veículos importados para o Brasil passavam por ajustes que reduziam a taxa de compressão do motor, devido à gasolina nacional. Isso acontecia para que os carros fossem compatíveis com a octanagem baixa do combustível. Em 1994, isso teve fim com a substituição do chumbo tetraetila presente na gasolina pelo etanol, tornando o combustível mais limpo e aumentando sua octanagem. Em 2014, houve redução no teor de enxofre, que passou de 200 ppm para 50 ppm, colaborando para a diminuição de emissão da substância na atmosfera.

Nesse longo processo de ajustes, mudanças e adequações, o Brasil parte rumo ao próximo passo, a fim de comercializar, em todo o país, uma gasolina de qualidade; um combustível de primeiro mundo.

Nova gasolina brasileira

Após longas discussões, que ocorrem desde 2017, a ANP publicou, neste ano, uma nova legislação sobre o controle de qualidade e as especificações das gasolinas automotivas. A Resolução substitui a antiga legislação sobre as especificações, vigente no Brasil desde 2013. As alterações no texto visam a melhoria na qualidade dos produtos comercializados e também novos procedimentos direcionados aos terminais de armazenamento.

As novas determinações se tornam obrigatórias a partir do dia 3 de agosto de 2020, mas o prazo para as adequações das distribuidoras de combustíveis é de 60 dias, enquanto os revendedores têm um limite de 90 dias para estarem totalmente regularizados.

A iniciativa para as alterações definidas é resultado de uma série de pesquisas e estudos dos padrões de qualidade, realizados pela ANP, que convergem com as especificações internacionais. As diretrizes atendem aos atuais requisitos, tanto de consumo de combustíveis como de níveis de emissões ainda mais rigorosos.

Com modificações físico-químicas, a nova gasolina brasileira tende a ser mais semelhante à fórmula que é comercializada, atualmente, na Europa e Estados Unidos. A tendência é que esse combustível seja mais eficiente, principalmente nos carros modernos. Destacamos abaixo os três principais pontos contemplados na mudança da gasolina, em relação à versão anterior.

Massa específica

A Massa Específica — também chamada de densidade — resulta do refino do petróleo. Ela é importante para delimitar a potência da gasolina. A mudança aqui é referente ao parâmetro mínimo de massa específica presente no combustível.

Há uma estimativa de que a gasolina brasileira sofra com uma variação entre 700 kg/m3 e 740 kg/m3. Grande parte do produto importado se encaixa na menor das duas faixas.

Com a mudança proposta pela ANP, fica estabelecido que o valor mínimo de massa específica (ME) seja de 715,0 kg/m3. Na prática, isso significa mais energia e redução no consumo. Estima-se que o rendimento seja 5% superior por litro.

Temperatura de destilação a 50%

Este é um dos parâmetros aplicados no processo de destilação do combustível. Nesse momento, ocorre 50% de evaporação da massa. E a segunda mudança na nova Resolução acontece justamente aqui: sobre a temperatura necessária para a destilação no ponto 50% (T50).

A ANP incluiu um limite mínimo de 77ºC para o item. Anteriormente, a especificação visava apenas o valor máximo, que era — e permanece — de 120ºC.

De acordo com a própria ANP, os parâmetros de destilação afetam o desempenho e a potência do motor, além da dirigibilidade do veículo. Quanto mais fácil for a vaporização, melhor o desempenho do motor.

Limites para a octanagem RON

A octanagem é o nível de resistência que a gasolina possui, sem sofrer combustão espontânea, em relação à pressão do motor. Existem dois parâmetros de octanagem, MON (Motor Octane Number) e RON (Research Octane Number), entretanto, no Brasil, tínhamos apenas especificações da octanagem MON e do Índice Antidetonante (IAD), que é uma média estipulada entre a MON e a RON.

A terceira alteração para a nova gasolina brasileira está presente exatamente na definição de limites do parâmetro RON, que já são adotados em outros países. Para a gasolina comum, fica fixado um valor mínimo de octanagem RON de 92, a partir de 3 de agosto de 2020, e de 93, a contar do dia 1 de janeiro de 2022. Para a gasolina premium, esse valor será mais alto, fixado em 97, já a partir de 3 de agosto deste ano.

Essa alteração será benéfica principalmente para veículos mais modernos, que utilizam novas tecnologias de motores. Esse limite para octanagem RON resultará em uma gasolina de maior e melhor desempenho para o veículo.

Importância das mudanças e alteração no preço final

Segundo informações da Agência Nacional de Petróleo e Biocombustíveis, em 2018, 19% da gasolina comercializada no Brasil era importada. Em função das diferenças de fórmulas, não havia um padrão estabelecido para uma fiscalização adequada. Com a mudança determinada pela Resolução 807/20, fica muito mais fácil identificar e diferenciar combustíveis de qualidade e combustíveis ruins, que são prejudiciais ao veículo.

A Petrobras garante que a produção dessa nova gasolina brasileira não será um problema, afinal, as refinarias, de acordo com a estatal, são adaptáveis. A empresa já deixou claro que o eventual aumento no valor do produto, em função das mudanças agora exigidas, será compensado pela redução do consumo do combustível nos automóveis

O que não muda

Mesmo que a partir de agora a produção possua diferentes e significativas alterações, a nova gasolina brasileira continuará com a composição atual de etanol misturado ao combustível, ou seja, 27% na gasolina comum e aditivada, e 25% na gasolina premium. A formulação está presente há mais de 3 anos, e testes indicam que os veículos não sofrem mudanças no desempenho.

Conclusão

As novas especificações, estipuladas pela Resolução 807/20, prevêem aprimoramentos na qualidade da gasolina brasileira, com o intuito de proporcionar maior eficiência energética. Com isso, podemos esperar uma melhoria na autonomia dos veículos, através da diminuição de consumo, e maior facilidade para a introdução de tecnologias de motores ainda mais eficientes, capazes de reduzir os níveis, tanto de consumo quanto de emissões atmosféricas.

Já que o assunto é a nova gasolina brasileira, você sabe a diferença entre gasolina, etanol e diesel? Preparamos um artigo especial sobre o tema. Clique aqui para conferir e fique por dentro das principais particularidades presentes em cada um dos três combustíveis.

 

2020-08-04T09:23:50-03:003 de agosto de 2020|Mercado de Combustíveis|
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